A ABRACE Energia (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres) é uma das entidades mais antigas do setor elétrico brasileiro. Fundada em 22 de agosto de 1984, em São Paulo (SP), para representar os interesses dos grandes consumidores industriais, a associação defende a importância da energia a preços competitivos como fator essencial para o desenvolvimento econômico e a competitividade do setor produtivo no Brasil. Em 2009, a sede da ABRACE Energia foi transferida de São Paulo para Brasília.

Representatividade A associação reúne mais de 50 grupos empresariais responsáveis por aproximadamente 40% do consumo industrial de energia elétrica do Brasil e 42% do consumo industrial de gás natural. Com presença em 25 estados brasileiros e mais de 800 unidades de consumo, a ABRACE possui um consumo energético agregado superior ao de países latino-americanos como Chile, Colômbia e Peru. Embora represente menos de um terço das plantas industriais brasileiras, a grande indústria consumidora de energia tem um impacto massivo na economia. Ela é responsável por 49% do valor adicionado ao PIB, quase 67% do investimento privado e gera cerca de 3,2 milhões de empregos diretos, além de quase o triplo em vagas indiretas.

Setores Representados A ABRACE reúne empresas de diversos segmentos industriais, entre eles:

Mineração Siderurgia e ferroliga Alumínio Petroquímica e química (cloro soda, gases industriais) Papel e celulose Vidros Cimento Têxtil Automobilístico Alimentício

Empresas Associadas Entre as companhias que integram a associação estão grandes líderes nacionais e multinacionais com forte presença na economia brasileira, como: Vale, Gerdau, Usiminas, CSN, Alcoa, Ambev, Cargill, Nestlé, Bayer, Votorantim, GM e Braskem.

Atuação Institucional A ABRACE participa ativamente de debates sobre regulação e políticas públicas do setor elétrico e do gás natural. Atua junto ao governo, Congresso Nacional e órgãos reguladores para:

Redução de encargos e subsídios cruzados na conta de energia. Expansão do mercado livre de energia. Reformas estruturais que aumentem a competitividade da indústria brasileira.

Leilões de Reserva de Capacidade (2025–2026) Em 2025, a ABRACE pediu ao MME o adiamento do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) e, após a judicialização do certame, apoiou o cancelamento e a reabertura de consulta pública para revisar regras como o “Fator A” e parâmetros de custo, alegando risco de encarecimento aos consumidores e falta de transparência. Especialistas e entidades do setor argumentam que, sem o leilão, parte do custo de garantir a segurança do sistema tende a recair sobre os consumidores cativos, porque o governo e as distribuidoras precisam adotar soluções mitigadoras e/ou emergenciais (como maior despacho térmico e compras no curto prazo), que têm custo e podem pressionar tarifas. O MME reconheceu que as ações para mitigar o atraso do LRCAP “terão custo” ao consumidor; análises também alertam que adiar a contratação encurta prazos e eleva riscos de gargalos e custos adicionais. Precedentes como a Conta de Escassez Hídrica (2021) ilustram como despesas extraordinárias acabam repassadas à tarifa.

Referências